Essa coleção de figuras mostra telas, tapeçarias e desenhos de diversos artistas famosos da época do renascimento até os dias de hoje. As formas de representar, os detalhes e o contexto empregado nessas pinturas estão diretamente relacionadas com o pé e suas variações anatômicas.
Elas foram obtidas de diversas fontes; algumas fotografadas por mim, outras em colaboração, principalmente da apresentação que me inspirou para construir esta página, de autoria do Dr. Pier Carlo Pisani intitulada ” Il Piede Profilo Culturale” proferida em maio de 2008 no 57º curso teorico-prático de atualização em cirurgia do pé em Santa Vittoria D’Alba na Itália.
Agradeço a todos.
1. A imagem de 1420 demonstra Santa Elisabete da Hungria oferecendo o pão para dois enfermos com deformidades no pé e na perna usando bengalas. Esta imagem é de uma coleção de miniaturas de obras impressas no livro texto do Hospital Medieval Espirito Santo de Nuremberg, Alemanha (1420), servindo como princípio orientador do sistema hospitalar da época.

Hospital Espírito Santo, Arquivo Estadual, Nuremberg, Alemanha
2. Raffaelo Sanzio (1483 - 1520) pintou vária obras sobre a vida e atos dos apóstolos de Cristo. Em 1515 fez um desenho retratando o primeiro milagre de Pedro após a crucificação de Cristo: ” The heal of Lame Man” – A cura do homem coxo (aleijado, manco).
A figura relata o momento em que os Apóstolos Pedro e João encontram na porta do Templo de Jerusalém um homem coxo pedindo esmolas e lhe dão a cura de seu mal. Pedro, apontando para o céu, disse: “Não tenho ouro nem prata , mas o que eu tenho eu te dou. Em nome de Jesus, o Nazareno, levanta-te e anda! ” Pedro pegou-o pela mão e levantou-o, agora os pés e os tornozelos do homem estavam fortes, ele levantou-se e começou a andar ao redor, entrou no templo andando e louvando a Deus juntamente com Pedro e João.

Pintura original exposta no museu Victoria e Albert em Londres.
Este desenho foi utilizado como modelo para a tapeçaria de mesmo nome utilizada na Capela Sistina e atualmente exposta na pinacoteca do museu do Vaticano.
3. O francês Nicolas Poussin (1594 - 1665) também pintou em óleo sobre tela esse episódio em 1655. A tela está exposta no Museu Metropolitano de Nova Iorque.

4. As pinturas abaixo são de Masolino da Panicale (1383 - 1447) e decoram as paredes da Capela Brancacci da Igreja de Santa Maria del Carmine em Florença, Itália.
Na parede direita da capela aparece novamente a representação do milagre de Pedro, ” A Cura do Homem Coxo”, e no mesmo quadro, “A Ressureição de Tabita”, um dos milagres de ressuscitação realizado pelo apóstolo de Cristo.



5. ”Alimentando os Famintos” (1504) – Mestre de Alkmaar - Rijksmuseum – Museu Nacional - Amsterdam – Holanda
Tela intitulada ”Alimentando os Famintos”, retrata uma senhora distribuindo pães para os mendigos. Entre eles um homem com deformidade em ambos os pé e pernas, utilizando uma espécie de apoio em tripé nas mãos para se locomover.
Tela que faz parte da coleção ”As Sete Obras de Caridade” de un pintor holandês anônimo, de pseudônimo ”Mestre de Alkmaar” datada de 1504.
Em Mateus 25:31-46 , Cristo explica que as pessoas terão que responder por seus atos no Juízo Final . Ele então enumera seis obras de caridade , dizendo: ‘ Em verdade vos digo que, uma vez que tiverdes feito isso até , pelo menos um destes meus pequeninos irmãos, tendes feito a mim “. O sétimo trabalho de caridade, enterrar os mortos , é derivado do livro de Tobias 1:17, e só foi oficialmente adicionado aos seis mencionado em Mateus , no início do século 13.
As sete obras de caridade são : alimentar os famintos, refrescar a sede, vestir os nus, hospedar os viajantes, visitar os doentes, confortar os presos e enterrar os mortos.
Essas sete obras de caridade foram pintadas pelo artista anônimo em sete telas e estão espostas no Museu Nacional de Amsterdam – Holanda.

6. O espanhol José de Ribera, também chamado de “Lo Spagnoletto”, “O espanholzinho”, por sua baixa estatura – nasceu em Xativa (1591) e foi um dos maiores pintores europeus do século XVII; viajou e trabalhou na itália ao lado de Caravaggio e morreu em Nápoles (1652).
Nesta tela de 1642 ele retrata um pequeno mendigo, menino aleijado, provavelmente pela paralisia infantil. Em sua mão esquerda carrega um papel escrito: “Da Mihi Elimosinam propter AmoremDei – Dá-me esmola pelo amor de Deus”, porém, seu rosto mostra-se sorridente e confiante na sua fé. Este quadro representa uma crítica contra o protestantismo do século XVII, exaltando o poder das boas ações Cristãs.

Local : Museu do Louvre – Paris
7. Jacques Callot (Nancy, Fr; 1592 - 1635) desenhista francês tinha um talento singular para imaginar posturas, fisionomias, trajes e figuras extravagantes. Sua cidade, Nancy, foi sitiada e humilhada com a entrada do exército de Luís XIII. Durante a guerra desenhou os suplícios e sofrimentos em uma série de dezoito imagens, além da outras inúmeras ilustrações impactantes e disformes.

Esses desenhos acima são da série “GUEUX (VAGABUNDO)” e retrata a miséria e as doenças da população de Nancy durante a guerra.
Local: Museu Histórico Lorrain, Nancy – França
8. Entre os vários milagres de Cristo, em um deles houve a cura de dez leprosos na divisa entre Samária e Galiléia. Este afresco representa essa passagem. No detalhe vemos um homem com amputação da perna esquerda e outro sem os dois pés.

Obra: ” Miracoli di Cristo” – O milagre de Cristo (Século XIII) – Anônimo
Local : Cúpula do batistério da Catedral de Parma – Itália
9. Cena de estrada com arquitetura romana de Johannes Lingelbach (1622 - 1674)
Retrato da vida romana, o povo e a arquitetura. Um homem com o pé recentemente amputado caminha entre os cidadãos.

Local: Worcester Art Museum – Worcester – USA
10. Pieter Bruegel, “O velho”, (1530 - 1569) é considerado um dos melhores pintores Flandres do século XVI. Retrata o cotidiano e cenas populares, além da sua predileção por paisagens, pintou quadros que realçavam o absurdo na vulgaridade, expondo as fraquezas e loucuras humanas, que lhe trouxeram muita fama.

Obra: ” Os Aleijados”
Local: Museu do Louvre – Paris – França
11. Napoleão, com uma lesão no pé, é tratado pelo seu cirurgião Yvan após a vitória contra o império austríaco na guerra de Regensburg, de 19 a 23 de abril de 1809.
Durante a batalha, Napoleão foi ferido por uma bala austríaca, que atingiu seu calcanhar. A bala foi disparada de longa distância, ferindo levemente o imperador. Este foi o único momento em que Napoleão foi ferido em todas as suas campanhas. Os franceses derrotaram o exército de Carlos Luis da Áustria, que se refugiaram em Bohemia, deixando aberto o caminho francês para Viena.


Retratado por Pierre Gautherot (1765 – 1825) em 1810.
Local: Museu Nacional do Castelo de Versailles – Paris – França
12. Desenho de Magni de 1580 – Cuidados com o pé reumático
Retirado do livro de Ange Pierre Leca: ” A História Ilustrada da Reumatologia” 1984 – França

13. Leonardo Da Vinci
Leonardo da Vinci (1452, Vinci – 1519, Amboise) foi uma das figuras mais importantes do Renascimento que se destacou como cientista, matemático, engenheiro, inventor,anatomista, pintor, escultor, arquiteto, botânico, poeta e músico.
Leonardo frequentemente foi descrito como símbolo do Renascimento, alguém cuja curiosidade insaciável era igualada apenas pela sua capacidade de invenção. É considerado um dos maiores pintores de todos os tempos e possivelmente a pessoa dotada de talentos mais diversos a ter vivido. Nascido como filho ilegítimo de Messer Piero Fruosino di Antonio, um notário florentino e de Caterina, uma camponesa, na cidade de Vinci, na região da Florença; foi educado no ateliê do renomado pintor florentino, Andrea del Verrocchio. Passou a maior parte do início de sua vida profissional a serviço de Ludovico Sforza (Ludovico il Moro), em Milão; trabalhou posteriormente em Roma, Bolonha e Veneza, e passou seus últimos dias na França, numa casa que lhe foi presenteada pelo rei Francisco I.
Como cientista, foi responsável por grande avanço do conhecimento nos campos da anatomia. Seus estudos anatômicos sobre o corpo humano e de vários animais teve estímulo pela insistência de seu professor Andrea del Verrocchio. Como artista, ele rapidamente se tornou um mestre da anatomia topográfica, realizando muitos estudos dos músculos, tendões e outras características anatômicas visíveis.
Como um artista de sucesso, ele recebeu a permissão para dissecar cadáveres humanos no Hospital de Santa Maria Nuova, em Florença e mais tarde no hospital de Milão e Roma. Entre 1510 e 1511, colaborou em seus estudos o médico Marcantonio della Torre e juntos elaboraram um trabalho teórico sobre a anatomia, em que Leonardo fez mais de 200 desenhos. Este trabalho foi publicado apenas em 1680 (161 anos após sua morte), integrando o Trattato della Pittura.
Leonardo desenhou muitos estudos sobre o esqueleto humano e suas partes, bem como o sistema nervoso, o coração, as artérias, as veias, os órgãos sexuais e outros órgãos internos. Ele fez um dos primeiros desenhos científicos de um feto no útero. Leonardo observou e registrou cuidadosamente os efeitos anatômicos e fisiológicos da idade e da emoção sobre o corpo humano, estudando em particular os efeitos da raiva. Ele também desenhou muitas figuras importantes que tinham deformidades faciais e sinais de doenças.
Ele também estudou e desenhou a anatomia de diversos animais, dissecando vacas, cavalos, aves, macacos, ursos e rãs; e comparava seus desenhos em sua estrutura anatômica com os dos seres humanos.



Pintor: Leonardo Da Vinci
Obra: Estudos Anatômicos do Pé
14. Século XX

Pintora: Cameron Hampton (Atlanta,1968)
Obra: Old Hands and Tired Feet (1996)
Local: Acervo pessoal

Dr. Silvio Maffi
Especialista em Cirurgia do Pé e Tornozelo
