A mitologia refere-se ao estudo de mitos; histórias baseadas em tradições e lendas feitas para explicar o universo, a criação do mundo, fenômenos naturais e qualquer outra evento que explicações simples ainda não são atribuíveis.
A mitologia e as figuras mitológicas estão presentes e são proeminentes na maioria das religiões. O termo é freqüentemente associado às descrições de religiões fundadas por sociedade antigas como mitologia romana, mitologia grega, mitologia egípcia e mitologia nórdica.
Algumas histórias mitológicas podem nos trazer ensinamentos, revelar verdades fundamentais e pensamentos sobre a natureza humana, através do uso freqüente de princípios morais e sociais. Essas histórias expressam pontos de vista e crenças de um país, um período no tempo, cultura ou religião a qual lhes deu origem.
Todas as histórias apresentadas neste site possuem alguma relação contextual com o tema “Pé e Tornozelo”.
São compilações de várias fontes de informação sobre a mitologia mundial, principalmente dos trabalhos literários de dois gaúchos que escreveram a maior série de contos mitológicos do Brasil: A.S. Franchini e Carmem Seganfredo.
Boa Leitura!
Édipo, o Homem dos Pés Inchados

O nome Édipo deriva de Oidos (inchados) e Pous (pés), isto é, pés inchados, pé machucados. Deformidade que se refere à criança abandonada e rejeitada, ao homem excluído, exilado, e ao velho mendigo sem rumo.
Édipo era filho de Laio e de Jocasta, o rei e a rainha de Tebas.
Segundo a lenda grega, Laio havia sido amaldiçoado por Pélops e alertado pelo Oráculo de Delfos que uma maldição iria se concretizar caso ele tivesse algum descendente: seu filho o mataria e se casaria com a própria mãe.
Com medo, logo após o nascimento de seu filho com Jocasta, Laio amarrou e feriu ambos os pés da criança e abandonou-a no monte Citeron. O menino foi achado por um pastor chamado Forbas, que lhe deu o nome de “Édipo”, o de “pés inchados”, e levou-o para ser adotado e criado pelo rei Pólibo, da cidade de Corinto.


Pastor Forbas com o pequeno Édipo - Antoine-Denis Chaudet (1801)- Museu do Louvre (Paris)
Quando jovem, durante uma festa no palácio de Corinto, Édipo ouve acusações de um bêbado que ele não seria filho legítimo de Pólipo e resolve viajar a Delfos para consultar o Oráculo sobre sua origem.
O Oráculo de Delfos não lhe responde objetivamente as perguntas, mas lhe dá a mesma sentença dada a Laio, que ele mataria seu pai e se casaria com sua mãe. Achando se tratar de seus pais adotivos, foge de Corinto.
No caminho, encontra uma comitiva real que lhe ordena que saia do caminho. Édipo ainda abalado com a previsão de seu destino reage contra a ordem e acaba matando o rei e seus homens, somente um pastor escapa da morte. Coincidentemente este rei era Laio, seu pai verdadeiro e o pastor, o homem que o salvou da morte no monte Citeron.
De volta a Tebas, cidade de Laio, Édipo deparou-se com um terrível flagelo que aterrorizava a cidade. Uma esfinge, monstro metade leão e metade mulher, que espreitava os viajante para lhes ameaçar: – Decifra-me ou te devoro !. E todos os que não conseguiam decifrar o enigma eram devorados pela fera.
A rainha de Tebas, Jocasta, após saber da morte do rei Laio, havia oferecido o trono e a própria mão em casamento ao homem que solucionasse o enigma e livrasse Tebas do terrível monstro.
Diante da feroz esfinge Édipo ouviu a seguinte pergunta: “Qual o ser que de manhã anda com quatro patas, ao meio dia com duas e ao entardecer com três ? “.
– É o homem ! – Disse Édipo. – Ao amanhecer é uma criança engatinhando, ao meio dia é um adulto, que usa ambas as pernas, e ao entardecer é um velho com seu arrimo.
A resposta enraivece a esfinge de tal forma que ela mesma devora-se.



Os cidadãos de Tebas recebem Édipo com deferência e o proclamam o novo rei da cidade após o casamento com Jocasta, sua mãe verdadeira. Os dois vivem em harmonia e geram quatro filhos: Antígona, Ismena, Etéocles e Polinices.
Édipo Rei:
Mas com a ascensão de Édipo ao trono, calamidades de toda espécie, pestes, secas, fome e inundações alternavam-se e devastavam a cidade de Tebas. O novo rei decidiu enviar Creonte, irmão de Jocasta, para consultar o Oráculo de Delfos sobre a causa de tanta desgraça.
Creonte retorna com a resposta do oráculo: – O fim da desgraça só chegará no dia em que o responsável pela morte Laio for expulso de Tebas”.
Édipo imediatamente ordenou a busca, sem poupar esforços, pelo assassino de Laio. Mas, após muitas prisões e mortes, nada parecia melhorar a situação de Tebas.
Jocasta então sugeriu ao rei consultar o profeta Tirésias. O profeta reluta em revelar a identidade do assassino de Laio, mas é levado pela insistência de Édipo e diz : – Você, rei Édipo, é o assassino de Laio, seu próprio pai.
Édipo e Jocasta, marido e mulher, mãe e filho, entreolharam-se incrédulos.
Não conformado e acreditando ser um conspiração de Creonte e Tirésias, Édipo lembra do episódio onde assassinou a comitiva de um rei na estrada de Delfos e ordena que lhe tragam o pastor de Laio, único sobrevivente da trágica desavença.
Assim que o pastor chega a Tebas, confirma que o rei assassinado era Laio e que salvou da morte seu filho entregando-o ao rei de Corinto.
Jocasta inconformada com a revelação tranca-se em seu quarto e enforca-se. Édipo ao ver o corpo pendente de Jocasta, arranca um broche de seu vestido e fura ambos os olhos: – Assim como não tive olhos para ver os crimes que cometi também não os terei para ver mais nada neste mundo ! – Disse o rei, com as órbitas dilaceradas e o sangue escorrendo em seu rosto.

Os filhos de Édipo, Etéocles e Polinice, ao saberem da terrível revelação decidiram cumprir a profecia do Oráculo de Delfos. Jogam um manto sobre os ombros do pai cego e o levam até os limites da cidade de Tebas e o abandonam à própria sorte.
Entretanto, Antígona, com compaixão decidiu acompanhar o pai no exílio.


Charles François Jalabert - 1842 (Museu de Belas Artes - Roeun) e Antoni Brodowski - 1828 (Museu Nacional - Varsóvia)
Édipo em Colono:
Cego, velho e mendigo, Édipo chega a um bosque no distrito de Colono aos arredores de Atenas para repousar e morrer. Reconhece ser culpado do homicídio de um homem, mas não admite ter matado seu próprio pai e da relação incestuosa com sua mãe, pois tudo o que aconteceu foi sem o seu conhecimento.
Ismena, a outra filha de Édipo, chega ao encontro do pai e da irmã com a notícia que os seus irmãos, Etéocles e Polinices lutam ferozmente pelo trono de Tebas. Édipo decide não interferir na disputa e ganância dos seus filhos.


Jean Antoine Théodore Giroust - 1788 (Museu de Arte de Dallas) e Fulchran Jean Harriet - 1798 (Museu de Arte de Cleveland)
Édipo agora cego vê melhor do que quando possuía o sentido da visão. Sábio, solicita proteção a Teseu, rei de Atenas. Amparado pelas filhas até o fim de sua vida, Édipo morre com remorso e desgosto, transferindo sua benção ao rei Teseu e à cidade de Atenas.

Jean Baptiste Hugues (1849-1930) - Paris - Museu de Orsay

Dr. Silvio Maffi
Especialista em Cirurgia do Pé e Tornozelo
